TRABALHO

Carina Sehn e Elen Gruber

12 de julho a 03 de agosto de 2016

O encontro é mesmo algo incrível!

Como os corpos se encontram? Como as moléculas se unem? Como as partículas se movem ao realizamos um trabalho? Quando trabalhamos algo acontece, uma medida de energia é transferida pela aplicação de uma força ao longo de um deslocamento. Quanto de força aplicamos no nosso dia-a-dia? Que força é esta? Nos deixa exauridos? Nos enche de energia?

Aqui, no Programa Publico de Performance Península, neste convívio criativo de 14 dias entre Elen e eu, uma força criativa, uma força de movimento, um vigor de trabalho aconteceu e ainda segue acontecendo aqui, nesta exposição, que agora você está imerso ao ler este texto. Nossos corpos vivos, movimentaram-se fortes, escravos, atrelados aos hábitos, livrando-se deles, soltos (...) – realmente é imprevisível o trabalho e o corpo do trabalhador, que vive o estado atual do corpo, do trabalho contemporâneo , em constante variação - espinhento, exaustivo, exigente, imperativo, natural...  todo o tipo de trabalho que há e como há! Afinal, o que não é trabalho? Qual o limite aqui colocado? Este limite que faz com que a liberdade exista por causa dele. O que é que nos prende? Qual a nossa cerca-viva?

A vida, os espinhos, o arame-farpado, o ferro, a madeira, o fogo, a xilogravura, as máquinas, produziram efeitos em nós e em nossas ações durante a residência. Matérias que desenharam e criaram diferentes corpos que se comunicam com as diferentes visões contemporâneas do trabalho e suas esferas: política, econômica, geográfica e social. Nós duas juntas - uma britadeira e uma tora de madeira - cavando um buraco, criando um território. Uma cura. Um estudo para a regeneração. Lugares para a prática de si. Da forma à velocidade da ação. Música de máquinas, do movimento dos nossos corpos imersos em territórios micro e macro expandidos. Fizemos o que ainda não tínhamos feito.

Nosso primeiro encontro foi virtual e a partir da rocha, dos rochedos. Agora este mesmo encontro ganha um território, ganha terra, matéria; mas não deixa nunca de ser imaterial, telepático, sutil. O trabalho e o encontro. Força sutil. Criamos a partir do corpo, da imagem do corpo e, acionando, produzimos esta exposição, que traz registros vivos da ação, da performance ao vivo e da vídeo-performance.

Estamos, de fato, vivas e sem medo!

Gracias a la vida, ao trabalho, à performance e à Galeria Península!

Carina Sehn