S O B R E M E S A

AG Barazen
Carolina Marostica
Giordana Winckler
Gustavo Assarian
Guilherme Robaski
Jordi Tasso
Ricardo Fonseca
Taila Idzi
Tomas Barth

VISITAÇÃO

DE 5 A 26 DE AGOSTO DE 2017

TERÇA A SÁBADO, 14H ÀS 19H

No dia 24 de junho de 2017, realizamos uma maratona de 13h de leitura de portfólios. Ao final desse mesmo dia, exaustos e famintos, revelamos os 11 artistas selecionados, articulando as obras escolhidas em torno de um proposta curatorial que trataria o espaço expositivo como uma sala de jantar. 

Essa coletiva é uma homenagem ao artista romeno Daniel Spoerri (1930-), que a partir de 1961, começa a produzir trabalhos feitos com comida e a carimbá-los com a expressão “Atenção: Isso é uma obra de arte.” Em 1967, ele cunha a expressão: EAT ART, ou COMA ARTE, estabelecendo assim um marco para a arte feita com comida, seus resíduos e utensílios. COMA ARTE carrega também essa antropofagia dos fazeres de outros artistas, dos quais nos servimos muitas vezes para ampliar ou discutir ideias semelhantes. 

A boa mesa sempre foi um lugar inspirador e há muito tempo a expressão – é na variedade que se encontra o sabor – tornou-se senso comum que permeia o nosso imaginário. Percepções que não perderam seu fascínio para os novos artistas, talvez porque a comida seja capaz de expressar identidades locais nesse mundo altamente globalizado. Mas outras questões se somaram a EAT ART: a ética na produção de alimentos, o problema das monoculturas, a riqueza e a pobreza e sua evidência brutal sobre a mesa, as manias de saúde e o sucesso dos realities culinários. É estarrecedora a atualidade de algumas questões formuladas por Spoerri – durante os cinco anos de funcionamento do seu restaurante/galeria em Dusseldorf – que nos convoca a entendê-las em campo ampliado, diretamente implicadas no fazer artístico, são elas: “Que tipos de preparos são conhecidos internacionalmente? E quantas diferentes versões existem para as mesmas receitas?”

Aromas, formas, texturas e cores, e o que vem depois? O final feliz, a SOBREMESA. É bom lembrar que a aparência da sobremesa é tão importante quanto o seu sabor. Na língua portuguesa, sobremesa decorre da construção morfológica de sobre + mesa, nesse sentido, diante dos 35 portfólios sobre a mesa, selecionamos os ingredientes mais açucarados e díspares com o intuito de produzir uma receita convidativa, que tornaremos pública no dia 04 de agosto, a partir das 19h.

Mel de framboesa, creme de café, pudim de leite, mousse de chocolate, suspiro, arroz-doce, bomba de caramelo, quindim... SOBREMESA é o nome da nova mostra coletiva que conta com a participação de artistas com trajetórias muito diferentes, trabalhando com escultura, bordado, cerâmica, fotografia, pintura, desenho e comida. 

SOBREMESA desperta as papilas gustativas que permitem a percepção através da língua, contestando a política tradicional da visão que o sistema da arte ainda insiste em sublinhar. Incorporando o saber do corpo que leva a deglutição e torna gosma a interface arte e vida. A exposição é estruturada em três seções: sala um, a sala de jantar, apresenta uma ampla gama de trabalhos que se articulam ao redor de um jantar desconstruído; sala dois, o ateliê da Península, nosso coração, virá o depois da sobremesa, com projeções de imagens potentes e; por último o jardim, dieta do gosto, apresentando trabalhos ligados a escultura expandida. Enfim, a sobremesa com café é sempre um convite para uma boa conversa. Aqui, um pretexto para pensarmos sobre as práticas emergentes.

Bon apetit!


Andressa Cantergiani, Denis Rodriguez e Leonardo Remor