QUASE UMA ILHA

"O trabalho não é posto em um lugar, ele é esse lugar."

Michael Heizer

 



A atual 'punta' do centro histórico de Porto Alegre já foi uma península – do latim, pen:quase, insula:ilha – que se unia ao resto da cidade apenas pela rua da Praia.
Na vida provinciana da virada do século XX, as edificações concentravam-se na subida da lomba até a atual rua Duque de Caxias e Porto Alegre esparramava-se costeando o lago Guaíba. Nessa época a cidade observou o aterramento da várzea localizada em frente a atual galeria Península, além da proliferação de loteamentos, avenidas e arranha-céus. Sob a intensa urbanização, especulação e aprimoramento da construção civil, os engenheiros e arquitetos transformaram a paisagem urbana, através de elaborados projetos e planos para uma metrópole do futuro. Foi assim também que surgiu o edifício da galeria Península, num impulso privado de revitalização de uma aréa de grande circulação e plácida proximidade com a orla. Nessa região, que já foi o final da cidade, localizava-se um marco de vergonha e violência colonial. Bem em frente a galeria Península existia um pelourinho e uma forca, memória inapagável de um passado soterrado pelos impulsos desenvolvimentistas.


Nessa proposição afetiva dos artistas Andressa Cantergiani e Denis Rodriguez, a galeria Península transforma-se em zona de hospitalidade e recebe os artistas Adauany Zimovski, Adrián Montenegro, Avatar Moraes, Gustavo Freitas, Leonardo Remor, Letícia Ramos, a dupla Virginia Simone & Matheus Walter, Rommulo Vieira Conceição, Thiago Gonçalves e Túlio Pinto para práticas que guardam relação com a arquitetura, com o urbanismo, a geografia urbana, a paisagem e a arqueologia das cidades.