D E S | C O M P O S T O S

Claudia Paim e Dione Veiga Vieira

VISITAÇÃO

DE 01 A 23 DE SETEMBRO DE 2017

QUARTA A SÁBADO, 14H ÀS 19H

PAISAGEM DE SINAIS

 

“No fundo da matéria cresce uma vegetação obscura; na noite da matéria florescem flores negras. Elas já têm seu veludo e a fórmula de seu perfume.”  Gaston Bachelard

 

 

Desde 2013, Claudia Paim e Dione Veiga Vieira se encontram para conversar sobre as suas próprias poéticas e pensar atravessamentos entre as produções recentes, com o intuito de gerarem um exposição a partir desses diálogos.  Às vezes colaboram na materialidade de uma nova obra, mas a maior parte do tempo tecem relações provisórias entre esses novos trabalhos.  Cada uma constrói para si suas imagens, objetos, textos, áudios e desenhos e num segundo momento, depois de um período de imantação, de um trabalho diante do outro, apresentam essas obras em um novo espaço de existência. É desse exercício – ou seria um jogo entre as artistas? – que deriva o título da exposição, nomeado pela dupla como: DES | COMPOSTOS. Identidades, individuações e composições cambiantes, sucessivas, de processos, de palavras, de fazeres e de afeto.

                                                                                                                                                                                             

Embarquei nessa aventura por paisagens sensíveis compostas de sobreposições de imagens, numa mistura de demandas existenciais e de investigação artística.

 

As artistas através de caminhadas exploraram geografias distantes e desertas.

 

Claudia Paim modifica a paisagem apenas com a presença do próprio corpo. Um pequeno gesto em uma paisagem extensa, que só se deixa reduzir pelo dispositivo fotográfico. Será possível separar o que se sabe, o que se sente e o que se mostra? Como compartilhar o instante transitório de uma experiência na natureza viva e mutante, se cada novo dia tem para ele a dinâmica do próprio renascimento?

 

Dione Veiga Vieira se adapta ao ambiente natural, observa, se apropria e fotografa. É preciso hesitar diante da série Ontem, Amanhã. Trata-se de um testemunho da passagem do tempo e suas diferentes condições de luz? Ou seria uma imersão em pesquisas técnicas na qual a manipulação da imagem define o horário do dia?

 

Trilhas solitárias que agora se entrecruzam para produzirem efeitos a partir de associações subjetivas. No vídeo Paisagem Descomposta, as artistas finalmente se fundem, misturando paisagens sob o critério da imaginação de formas, reconhecendo a condição imanente da paisagem como experiência onírica. Des|compostos é um convite a uma experiência sensorial mais liberta do consciente. São ações afirmativas e voluntárias que ocupam um território sem o aval de ninguém, somente com o intuito de se escavar um pouco mais fundo, querendo encontrar o primitivo e eterno nas relações interpessoais e nos enfrentamentos com a natureza. Defrontar-se e desfrutar do meio natural torna-se a cada dia uma possibilidade menos familiar e mais distante, rarificada pela expansão exponencial da vida urbana. O espaço natural retrocede continuamente. Será a natureza capaz de nos sobreviver?

 

 

Denis Rodriguez

 

 

 

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Às 20h,  apenas no dia da abertura, Claudia Paim apresenta a performance Entre Minha Boca e Teu Ouvido. A partir de lembranças de paisagens, a artista busca refletir sobre as traições da memória e a impossibilidade de repetição de uma experiência. A comunicação sofre inúmeros tropeços entre a boca e o ouvido. Há distância entre o agora e o que a memória atualiza, detalhes são acrescidos e outros esquecidos.